BH e Região Metropolitana:
(31) 2533-5500
Whatsapp:
(31) 2533-5555
Demais Localidades:
4000-1312

notícias

Os perigos do autodiagnóstico pela internet
Os perigos do autodiagnóstico pela internet
15 de janeiro de 2020

Quem nunca, ao sentir uma dorzinha de cabeça, por menor que fosse, já correu para o Dr. Google? Basta digitar, por menos de cinco segundos, no teclado "como curar uma enxaqueca", que a sua página será tomada por um variado leque de remédios e soluções capazes [ou não] de acabar com o incômodo. Se você se identificou, pertence ao grupo dos 40,9% de brasileiros que fazem autodiagnostico pela internet. Os dados são do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), entidade de pesquisa e pós-graduação na área farmacêutica. Na pesquisa anterior, de 2016, o índice de autodiagnostico online foi de 40%.

Acredito que esse crescimento se deve possivelmente ao imediatismo das pessoas, principalmente entre os jovens, que têm mais acesso aos meios digitais, o que pode ser comprovado, inclusive, pela pesquisa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em dezembro de 2018. Segundo o órgão, pela primeira vez, praticamente dois terços da população do país (69,8%) passaram a ter conexão com a internet. Deste total, 97% acessam a web com o smartphone. Logo, fica mais fácil obter informação de todo e qualquer tipo.

O perigo, porém, mora no risco que o autodiagnostico traz consigo. Isso, porque a enorme variedade de fontes de consulta no ambiente virtual pode fazer com que o usuário receba informações erradas e com isso comprometa ou negligencie seu tratamento. Também é importante dizer que na internet qualquer um pode ter a chancela de médico e escrever sobre tudo, sem necessariamente ter conhecimento técnico/acadêmico sobre o que está falando. Algo que é lido na web, e que não é verdade, pode até mesmo gerar pânico no paciente, ainda mais no caso do câncer, que é cercado de mitos. Com isso, ele pode acreditar erroneamente que seu caso é mais grave do que parece ou o contrário, que seu quadro é leve e sem riscos, sendo que na verdade a situação é oposta. Por isso, o melhor a fazer, diante de qualquer sintoma, é consultar um médico de confiança.

A mesma regra vale para as soluções da medicina natural. Muito se fala, atualmente, sobre os alimentos e plantas capazes de curar determinados tipos de câncer. Acreditando nessas informações, várias pessoas deixam de buscar tratamento clínico e recorrem à internet para encontrar esperanças de cura nestes métodos alternativos, o que pode ser perigoso. Embora os produtos naturais auxiliem na reposição de deficiências de vitaminas e minerais, devem ser complementares ao tratamento convencional, se necessário, e não substituí-lo. 

Que fique bem claro: não quero colocar a internet como vilã. Ela pode ser uma aliada do paciente, desde que bem usada. Prova disso é que muitos [pacientes], hoje em dia, têm o whatsapp do médico para consultá-lo diante de dúvidas. O que não pode acontecer é essa figura humana do profissional de saúde ser inteiramente substituída por mecanismos de buscas como o Google. É o médico quem deve tomar todas as condutas do tratamento do paciente, ou seja, norteá-lo.

Por fim, uma dica para você que não abre mão de buscar informações sobre doenças na web, é recorrer aos grandes portais, que possuem maior credibilidade, além dos canais oficiais da medicina, como sites da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, INCA (Instituto Nacional de Câncer), Sociedade Brasileira de Cancerologia, entre outros.

 

Este texto foi concedido por Bruno Muzzi, Oncologista Clínico na Cetus Oncologia.

VOLTAR